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Monthly Archives: April 2014

“O estúdio sempre tem dentro dele mais coisas do que fazem sentido. Há restos de projetos presos às paredes. Os primeiros esboços de projetos a ponto de começar. Os vestígios de projetos que foram abandonados. Há objetos nas paredes e no chão do estúdio que estão ali há anos, esperando ser completados ou guardados.

Da mesa do estúdio, posso ver um tripé de madeira, um batedor de ovos grande. Debaixo de um desenho de uma xícara quebrada. Ao lado do desenho de uma paisagem. Ao lado de um molde de madeira de um cavalo, coberto com desenhos de nanquim. Há um espelho anamórfico. Um desenho de um pássaro voando em uma moldura. As patas traseiras de um gato, em nanquim. Há uma lista de horários de apresentações para este ano e para o próximo. Há um boneco de cachorro feito de papel: três anos. A silhueta de uma pessoa num barco: 12 anos. A silhueta de uma pantera: 11 anos. Uma lista de legendas para as páginas de um livro a terminar. Oito pranchas de gravura em linóleo de amostras coloridas, em preto e branco. Três ampulhetas. Duas prensas de relevo. E 163 outros objetos específicos visíveis da minha mesa. Perto de mim, há 52 desenhos independentes para um livro de animação.

É a partir desse caos de excesso que acontece o trabalho no estúdio. É essa incoerência, essa fragmentação de pensamentos diversos, que é preciso transformar num desenho coerente, num corpo de desenhos, numa obra.

Na exposição, “A sala do excesso” não tenta recriar o estúdio, mas sim mostrar algo de superabundância de imagens e impulsos que constantemente circulam na realização do que acontece no estúdio.”

William Kentridge, 2012

william kentrige sala excesso

 

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