Horta agroecológica na Vila Cafezal oferece alimentos a preço abaixo do mercado

Foto: Tiago Vilela

Foto: Tiago Vilela

Uma horta com mais de 100 tipos de plantas, que são vendidas a um valor inferior ao de mercado, funciona desde 2005 na Associação de Moradores da Vila Cafezal, no Aglomerado da Serra, na região Centro-Sul de BH. Neste espaço, de cerca de 700 metros quadrados, os alimentos são cultivados de acordo com os princípios da agroecologia: justiça social, ambiental e econômica.

Dorvalino Marciano, morador da região, é o principal cuidador da horta, que é mantida em parceria com o Grupo Aroeira, composto por estudantes e profissionais formados pela UFMG. Segundo ele, o espaço deveria ser uma horta comunitária, mas como nem todos ajudam no cultivo, é cobrado um pequeno valor para manutenção. Com R$ 2,00 é possível fazer uma compra maior na horta que o equivalente a R$ 6,00 no sacolão, garantem moradores.

Foto 1 - Dorvalino Marciano mostra folha de taioba - Crédito Tiago Vilela

Dorvalino Marciano mostra uma folha de taioba
Foto: Tiago Vilela

O biólogo Emmanuel Almada, membro do Grupo Aroeira, explica o que é agroecologia, de maneira geral. “É essa perspectiva de produção de alimentos levando em consideração os ritmos da natureza, os processos ecológicos, a justiça social. Do ponto de vista técnico, você pode ter um produto orgânico sendo produzido com trabalho escravo. Porque o termo orgânico se refere à forma de produção, sem uso de agrotóxicos e insumos agrícolas, o que já é importante. Mas tão importante quanto as técnicas de produção são os sistemas sociais de produção: se há justiça, se há relações de gêneros iguais, valorização da diversidade. Tudo isso tem que ser levado em consideração.”

Almada conta que o espaço da horta era inicialmente ocupado por entulho e que o movimento social Brigadas Populares a idealizou, em 2005. “Hoje temos mais de 100 espécies de plantas aqui. Além das hortaliças comuns, como a couve, temos muitas outras tradicionais da roça que não são encontradas geralmente nos supermercados, nem em sacolões: cará-do-ar, tomate de árvore, mangarito, milho crioulo roxo de pipoca, vinagreira, bertalha e outras.” A horta também possui vários temperos e plantas medicinais, além de algumas frutas, como limão, banana e laranja, à disposição da comunidade.

Para o estudante de Geografia da UFMG, Pedro Coffran, também do Grupo Aroeira, a horta da Vila Cafezal mostra que existe um outro modo possível de se viver na metrópole com mais cuidado com a saúde e com a soberania alimentar. “Com exemplos como o desta horta, de aproximadamente 700 metros quadrados, produtiva, sem agrotóxicos, com sementes crioulas (originais), com adubo que nós fazemos, a gente mostra que existe um modelo diferente de produção.” Para ele, através da agroecologia urbana é possível expor muitas contradições do nosso mundo. “Não temos controle sobre o nosso próprio alimento, pagamos caro, não sabemos de onde veio e nem como foi produzido.” Coffran espera que a agroecologia se torne uma prática disseminada, pois produz alimentos mais saudáveis e com menos agressividade para o meio ambiente.

Como praticar a agricultura urbana?

Para Emmanuel Almada, plantar na cidade depende do ritmo de vida de cada um. “Mas é um desafio a gente repensar esse ritmo. As pessoas podem participar de práticas coletivas no seu bairro, que são as hortas comunitárias, por exemplo. A agricultura urbana é uma prática subversiva, pois resgata pelo menos parte da autonomia que a gente perdeu com o sistema hegemônico de produção de alimentos, de medicamentos, etc. Essa prática aponta uma outra direção. Permite valorizar as plantas medicinais e o saber popular. Tem uma implicação política, de pensar a cidade, muito grande.”

Oficinas populares

Além de diversos cursos oferecidos para a comunidade, na Associação de Moradores da Vila Cafezal também acontecem oficinas de técnicas e práticas relacionadas à agricultura urbana, a cada 15 dias, que são abertas ao público e gratuitas. Essas oficinas têm reunido mais de 30 pessoas por turma. No sábado (06), os participantes aprenderam a fazer suco de talos (receita abaixo), além de torta de sardinha com ora-pro-nóbis e folhas de peixinho empanadas. Os interessados em participar das próximas oficinas podem obter mais informações pelo e-mail:aroeiraufmg@gmail.com.

Receita de suco de talos – Fonte: Emater-MG

Ingredientes

– 2 xícaras de chá de talos de hortaliças verdes picadas (agrião, beldroega ou couve, ou outras hortaliças verdes)

– ½ xícara de chá de suco de limão

– 1 xícara de chá de açúcar

– 8 xícaras de chá de água

Modo de preparo

– Lave os talos e corte em cubinhos. Bata os talos com um pouco de água no liquidificador, até triturar bem.

– Coe o líquido batido e passe em uma peneira bem fina.

– Dilua o suco com o restante da água gelada e bata novamente com o açúcar e o caldo de limão.

– Sirva logo após o preparo.

Associação de Moradores da Vila Cafezal:

Rua Bela Vista, 56 A, Vila Cafezal, Aglomerado da Serra, Belo Horizonte

Grupo Aroeira: aroeiraufmg@gmail.com

Facebook: Grupo Aroeira UFMG

** Pedro Paturle (paturlep@gmail.com) é jornalista. Escreve no Bhaz aos sábados sobre sustentabilidade no dia a dia.

 

:: via Bhaz

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